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Por que a Chama Invisível precisa ser vista?
Um chamado à empatia, ao cuidado e à transformação

Quando a depressão vira parte de quem você é

  • Foto do escritor: Vitória Videos
    Vitória Videos
  • 2 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Por: Victoria Volpato



Mulher serena, cabelos coloridos, envolvida em tecido.  Chama Invisível

Esse texto nasceu como um ensaio da faculdade… mas, na verdade, é puro autorrelato. Resolvi compartilhar aqui não porque eu ache que você precise ler agora, nem para receber comentários, mas para que, se um dia fizer sentido pra você, possa encontrá-lo.

A depressão é um não-ser É virar-se do avesso

É dissolver-se

É ter um corpo vestido de matéria

Mas não dotado de essência

Ela não tem uma fronteira específica

Um início claro

Ou um porquê delimitado

Qual o limite entre eu e ela?

De mim, ela toma parte

Mergulho em mais um dia

Que se tornou noite

E é no sono que esqueço a dor

De quase existir

E quanto mais ali permaneço

Mais esqueço o caminho de volta

Não somos apenas carne e ossos. Nosso corpo é também presença no mundo — interage, é afetado, transforma e se transforma. Mas na depressão, algo se rompe entre o corpo que vive e sente e o corpo que os outros veem. Passo a me sentir um estranho dentro de mim mesmo, como se minha vida tivesse se deslocado para uma dimensão paralela.

É como se eu estivesse num reflexo distorcido da realidade: tudo parece igual, mas é sombrio, tóxico, habitado por “criaturas” que só eu enxergo.

Kafka, em A Metamorfose, descreve Gregor Samsa se tornando um inseto. Não é difícil ver ali um espelho da depressão. A sensação de inadequação, de estar desconectado de tudo e de todos. A incompreensão das pessoas ao redor, o isolamento que cresce.

A depressão é assim: uma transformação invisível, que muda radicalmente a forma como me relaciono comigo mesmo e com o mundo.

Penso que ela é como um instrumento desafinado numa orquestra. Quando bem ajustado, cada corda vibra em harmonia. Mas quando está fora de tom, a melodia se perde. A vida continua tocando sua sinfonia, mas eu não consigo acompanhar o ritmo. Fico preso num compasso diferente, sozinho, desafinado, fora de lugar.

A compreensão da depressão não cabe apenas em manuais médicos ou diagnósticos. Ela exige escuta. Exige que se veja o corpo como parte viva e pulsante de quem somos. Não basta buscar “curas” rápidas — é preciso encontrar caminhos de reintegração com o mundo e com nós mesmos.

Talvez, no fundo, seja isso: reaprender a escrever minha história, mesmo que a primeira página ainda esteja em branco.

Se um dia você já se sentiu assim, saiba que não está sozinho(a). E que, apesar de tudo, há formas de voltar a afinar o instrumento.




 
 
 

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